quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O sal;

Mais uma pitada de solidão e a receita da vida estraga.
É só o que penso: porque tão sozinha ainda que rodeada de gente?
SÓ quero respostas. Alguém está ouvindo meu lamento?
Um grito sussurrado dentro do peito, dentro da alma, dentro da boca, a garganta arranha o dente range o olho seca seca seca.
Seca. Eu.

Houve um tempo em que tudo parecia ficar bem, então a vida aconteceu.
E a vida chega quebrando todas as vidraças.




sexta-feira, 11 de março de 2011

Anestesia.

Eu não quero é ver gente. Ver gente significa me ver em seus olhos e isso me dá medo, o próprio espelho é meu inimigo. Eu sou meu pior inimigo e meus amigos eu não sei quem são. Me tornei uma incógnita à medida que tentei me descobrir. Queria dormir três dias seguidos e quando acordasse o mundo não fosse mais mundo, continuasse a ser sonho, ou ao menos deixasse de ser essa coisa assustadora que é. Uma vez sonhei que estava dormindo e ao acordar por mais que tentasse não conseguia sair do lugar durante alguns segundos. Talvez minha vida seja isso, um sonho que reflete minha realidade: eu não consigo reagir. Desculpo-me a cada segundo por não poder enxergar o mundo. Pessoas não passam de vultos e eu mesmo assim quase fecho os olhos quando elas passam. Tento prender a respiração a cada momento e talvez meus segundos de asfixia tenham sido os melhores dos últimos tempos.


Me sufocar é anestesia num mundo em que respirar é ser sozinho.




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Antes só.

Era um belo mundo lá fora, apesar de toda a sua feiúra. Lembrou-se de quando uma amiga disse que não era o mundo que estava feio, eram as pessoas que estavam com preguiça de ver sua beleza. Talvez fosse essa a verdade. Ela estava com a preguiça de sempre, preguiça de nada. O dia se resumia à madrugada insone em frente à tela em branco - ou cheia de cores - do computador. Passava o tempo todo vendo cenas que queria reviver, com pessoas que queria conhecer e sabores que queria provar. A TV não via sua companhia há muito tempo e os seus amigos insistiam em ligar, mesmo sabendo que dificilmente ela atenderia. Era uma boa moça, tranqüila, procurava abraços e não gostava de surpresas. Gostava mesmo era do amor, queria mesmo era amar. Sentia como se tivesse sido abandonada por quem nunca a tivesse acompanhado. Andava procurando algo que não sabia bem o que era. Gostava de estar no calor do seu quarto acompanhada somente da sua própria companhia, porque era assim que se sentia mesmo em meio ao calor de uma multidão. Tinha medo de ficar sozinha, mas quando não estava era ainda pior. Antes só que mal acompanhada, pensava sempre como se fosse um mantra. Antes só que mal acompanhada, antes só que mal acompanhada.

Antes só.

Sempre só.