Era daquele tipo que sonhava acordada por medo de abrir os olhos se estivesse dormindo. Decepção nunca fora seu forte, nunca. Ela não perde uma palavra, embora saiba que palavras são mentiras. Até o céu, mesmo sendo azul, fica laranja de vez em quando, - nada é constante -. A única coisa constante da vida é a mudança. Era do tipo que não gostava de mudanças, gostava de tudo como estava. Sua vida parada, seu cabelo crescendo, suas roupas velhas, suas séries antigas, seu quarto sujo. Via o mesmo filme sete vezes e não enjoava. A lâmpada do seu quarto está queimada há duas semanas e nem se importara, gosta do escuro - e ela tem medo do escuro-. Do tipo que gosta do seu canto, solidão. Do tipo que gosta do mundo, multidão. As rimas em sua mente não se completam, sua única completude é o vazio que preenche inteiro seu peito. Sua alma estava com defeito - era do tipo que odiava consertos-. Seus óculos são os mesmos há três anos. Sua bolsa amarela agora é preta de tanto ser jogada pelo chão, e essa é uma das únicas transições em sua vida. Era daquele tipo que guarda o mundo num abraço e nunca mais tinha sido abraçada. Sabe o pior de tudo? Era do tipo que odeia mudanças, mas ansiava que seu teto desabasse, pra assim, inevitavelmente ter que reconstruir tudo de novo. E que, dessa vez, fizesse tudo diferente. Decepcionada com a letargia do seu corpo, da sua alma e da sua mente, decidiu:
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http://bahguerra.blogspot.com/2010/12/do-teto_29.html
(F)
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